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Após 22 dias de apuração de votos, Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru


A candidata de direita Keiko Fujimori consolidou sua vitória nas eleições presidenciais do Peru após a conclusão da apuração de 100% das urnas, que levou 22 dias. Segundo os números divulgados nesta segunda-feira, 29, pela autoridade eleitoral peruana, ela recebeu 50,135% dos votos válidos e deve ser confirmada como a próxima presidente do país, embora a proclamação oficial do resultado ainda esteja prevista para até a próxima sexta-feira, 3 de julho.

A vitória representa a quarta tentativa de Keiko de chegar à Presidência e encerra uma disputa decidida por menos de 50 mil votos em um país profundamente dividido. Keiko obteve 9.223.396 votos, contra 9.137.755 do candidato de esquerda Roberto de Sánchez, uma diferença de apenas 49.641 votos, equivalente a 0,27 ponto percentual. 

Na última quarta-feira, quando sua vantagem passou a ser considerada irreversível, Keiko fez um pronunciamento em Lima no qual evitou declarar vitória antes da oficialização do resultado. Ela afirmou, porém, que pretende trabalhar para reunificar o país.

“Estamos cientes de que o Peru está dividido, praticamente partido ao meio”, disse a candidata.

Fujimorismo de volta

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e foi condenado por violações de direitos humanos e corrupção, Keiko retornará ao Palácio de Governo após três derrotas consecutivas em disputas presidenciais. Ela sucederá o presidente interino José María Balcázar Zelada, que assumiu o cargo há quatro meses em meio à mais recente crise política do país.

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Aos 51 anos, Keiko construiu toda a sua trajetória política em torno do legado do pai. Após o divórcio dos pais, assumiu o posto de primeira-dama aos 19 anos e, anos depois, tornou-se líder do partido Força Popular, principal representante do movimento político fundado por Alberto Fujimori.

Durante a campanha, Keiko adotou o lema “Peru com ordem” e fez do combate ao crime organizado sua principal bandeira. Entre suas propostas estão a construção de quatro megapresídios de segurança máxima, o endurecimento da legislação penal e a retirada do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A candidata também defendeu o retorno dos chamados “juízes sem rosto”, mecanismo utilizado durante o governo de seu pai para preservar a identidade de magistrados e amplamente criticado por organizações de direitos humanos.

Adversário contesta resultado

Na semana passada, Sánchez indicou que não aceitaria os resultados e convocou protestos na semana passada. O candidato da coalizão Juntos por el Perú acusou o processo eleitoral de irregularidades e anunciou que pediria a recontagem dos votos.

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Ele também apresentou recursos para anular votos registrados por peruanos residentes no exterior, alegando falhas administrativas na organização da votação. 

A virada de Keiko ocorreu justamente após a contabilização dos votos do exterior, que ampliaram sua vantagem sobre o rival.

Instabilidade política

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O Peru passa por um período de forte instabilidade institucional. Apenas nos últimos oito anos, o país teve oito presidentes, entre eleições, renúncias, impeachments e governos interinos.

A crise mais recente começou em dezembro de 2022, com a queda de Pedro Castillo, preso após tentar dissolver o Congresso e decretar estado de exceção para impedir seu impeachment. Desde então, o país passou por sucessivas trocas de comando, incluindo os governos interinos de Dina Boluarte, José Jeri e José María Balcázar Zelada.



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