InícioBrasilPai de Vorcaro nega crimes ligados ao Master em carta a Mendonça

Pai de Vorcaro nega crimes ligados ao Master em carta a Mendonça


O pai do banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário Henrique Moura Vorcaro, enviou uma carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em que nega os crimes atribuídos a ele pela Polícia Federal e afirma que sua prisão ocorreu por “um total e absoluto equívoco”.

Moura Vorcaro está preso desde o dia 14 de maio na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), após ser alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero, em meados de maio. Ele é apontado como operador da “milícia privada” montada por Daniel Vorcaro — chamada de “A Turma” — para ameaçar e coagir desafetos, além de estruturar pagamentos após a prisão do filho e de aliados.

Segundo uma apuração da Folha de S. Paulo publicada nesta sexta-feira (26) e confirmada pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, a carta a Mendonça tem oito páginas e foi elaborada com a ajuda da filha Natália. O documento foi enviado a Mendonça no último dia 19, em que o empresário alega nunca ter tido a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos.

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Em um dos trechos da carta, Henrique Moura Vorcaro classificou como “muito bizarra” a suspeita levantada pela Polícia Federal de que teria R$ 2 bilhões em contas bancárias e se declarou inocente das acusações da investigação. Seu patrimônio, disse, foi construído de forma lícita ao longo de 45 anos de atuação no mercado imobiliário.

“Não sou desonesto. Não faço coisas escusas. Ser honesto para mim não é só obrigação, é um prazer. Consegui com muito suor um patrimônio expressivo. Trabalho dia, tarde e noite, sempre. Não sou bandido. Não sou máfia”, declarou.

Entre as questões levantadas por ele para contestar a investigação, afirma que a compra de uma mansão de 2,2 mil metros quadrados nos Estados Unidos foi viabilizada com recursos da venda de uma empresa de saúde, além de financiamento e empréstimos.

Henrique ainda rebateu o relatório que apontou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas da família, e afirmou que todas as operações foram declaradas à Receita Federal.

Relação com “Sicário”

Em outro trecho do documento, Henrique Moura Vorcaro admitiu conhecer há dez anos o homem nominado como Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, que seria o executor de ordens da “milícia privada” de Vorcaro. No entanto, diz, a relação se limitava a negócios imobiliários.

De acordo com o empresário, Sicário chegou a oferecer um telefone para conversas “sem estar grampeado”, mas diz que o utilizou apenas poucas vezes porque não tinha nada a esconder. Segundo ele, também recusou uma proposta para contratar publicações positivas em sites e minimizar o impacto de notícias negativas.

Henrique reconheceu ainda que contratou Manoel Mendes Rodrigues para fazer a segurança de um terreno na localidade de Campo Grande, no Rio de Janeiro, mas afirma desconhecer qualquer atividade criminosa atribuída ao prestador de serviços. O homem é apontado pela investigação como aliado de Vorcaro para executar ordens contra desafetos na capital fluminense.

“Se tivesse alguma coisa de errado com o Manolo, nunca ligaria para ele. Eu sabia que eu estava grampeado, não sou tão ingênuo. É só raciocinar”, escreveu.

Falta de estrutura da prisão

Ao concluir a carta, Henrique relata dificuldades enfrentadas na prisão, diz ter passado mal dentro da cela e afirma que não há estrutura adequada para atendimento médico.

“Fiquei apavorado, mas com a graça de Deus, orei e depois de um tempo, passou. Na cadeia não tenho a menor estrutura, se tiver que sair às pressas, tem só uma UPA por perto que não conseguiria me salvar se tivesse um pico de pressão para baixo ou para cima, poderia ser fatal”, relatou.

Convertido à fé evangélica há 26 anos, ele pede que as autoridades ouçam os investigados antes de concluir as apurações para evitar “erros e injustiças como essa”.



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