No início do mês, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou uma carta para o secretário de Estado, Marco Rubio, em que pedia que os EUA não impusessem tarifas de 25% aos produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial do país americano.
Rubio respondeu à carta, agradeceu a visita recente de Flávio a Washington, mas, em relação ao tarifaço, afirma que a investigação conduzida no país sobre práticas comerciais deixou “claro que continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”.
A carta foi publicada pela coluna da Malu Gaspar, no jornal O Globo, e confirmada pela Folha.
O anúncio da proposta de novo tarifaço contra o Brasil se deu cerca de uma semana após encontro entre Flávio e Trump, em junho, o que tem sido usado por aliados do presidente Lula (PT) para associar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à medida e emplacar a narrativa de que ele trabalha contra os interesses nacionais.
O secretário cita as diferenças, como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, aplicação da lei anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
“Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de comentários públicos sobre a ação responsiva proposta e da audiência pública”, diz Rubio, em referência à audiência que vai acontecer no próximo dia 6 de julho. Tanto Flávio quanto o jornalista Paulo Figueiredo estão inscritos para participar.
Em relação às eleições, o chefe da diplomacia americana afirma que o país observa o “otimismo” de Flávio em relação às próximas eleições de outubro “e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso você seja eleito”.
“Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar cooperativamente com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura de comércio e investimento ampla, justa e mutuamente benéfica”, diz Rubio. “Espero ansiosamente pela continuação do nosso diálogo e pelo aprofundamento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações”.
O secretário encerra a carta dizendo “que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil”.

