O Brasil dispõe de pronto emprego logístico e militar para socorrer a Venezuela após os terremotos que atingiram o país vizinho nesta quarta-feira (24). Com vantagens geográficas únicas, o governo brasileiro avalia o envio de equipes de elite, mantimentos e o deslocamento de um navio-hospital.
Quais são os principais meios de transporte que o Brasil pode utilizar?
O país tem três caminhos principais: o aéreo, o terrestre e o naval. Pelo ar, os cargueiros KC-390 da Força Aérea Brasileira podem estabelecer uma ponte aérea rápida para levar bombeiros e remédios. Por terra, o Brasil tem o diferencial de possuir estradas que ligam Roraima a Caracas, permitindo o envio de comboios de caminhões em poucos dias. Pelo mar, a Marinha pode deslocar o NAM Atlântico, o maior navio da nossa frota, que funciona como uma base flutuante.
O que o navio-aeródromo Atlântico pode fazer nessa situação?
O NAM Atlântico é um verdadeiro hospital gigante sobre as águas. Ele possui mais de 200 leitos, incluindo unidades de Terapia Intensiva (UTI), e foi projetado exatamente para ajuda humanitária em catástrofes. Ele serve como base para até 18 helicópteros, o que é fundamental quando as estradas e aeroportos em terra estão destruídos. Se sair agora do Rio de Janeiro, ele pode chegar à costa venezuelana em cerca de oito dias.
Por que a rota terrestre é considerada uma vantagem estratégica?
Diferente de países distantes, o Brasil compartilha fronteira e tem uma estrada de 1.300 quilômetros ligando Pacaraima (RR) à capital venezuelana. Isso permite que os socorristas levem seus próprios carros e equipamentos pesados sem depender da frota local, que costuma entrar em colapso após tremores. A viagem por terra leva em média de três a cinco dias, sendo uma alternativa eficiente para o transporte de grandes volumes de comida e itens de higiene.
Qual é a postura oficial do governo brasileiro até agora?
O presidente Lula já orientou o Itamaraty a avaliar medidas de assistência em conjunto com a embaixada em Caracas, mas ainda não detalhou o envio de tropas ou recursos específicos. Enquanto o Brasil adota uma postura de cautela diplomática, outros países como Estados Unidos, México e Espanha já começaram a mobilizar equipes de salvamento e suporte técnico para atuar nas áreas atingidas pelos desabamentos.
O Brasil já realizou operações parecidas no passado?
Sim. O modelo de socorro planejado é muito similar ao que o Brasil executou no terremoto do Haiti em 2010. Naquela ocasião, as Forças Armadas brasileiras mantiveram uma ponte aérea ininterrupta, com vários pousos diários para levar tropas e suprimentos. Essa experiência em ‘diplomacia humanitária’ é um trunfo que pode ser repetido agora para ajudar as vítimas venezuelanas e fortalecer a liderança brasileira na região.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

