O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos desde janeiro, publicou uma mensagem de solidariedade ao povo da Venezuela após os fortes terremotos que atingiram o país na quarta-feira, 24. Dados oficiais apontam que 164 pessoas morreram e outras 970 ficaram feridas, mas números podem ser maiores, visto que há mais de 10.000 desaparecidos.
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Em publicação feita por sua equipe nas redes sociais, o ex-líder diz que ele e sua esposa, Cilia Flores, estão “orando por cada família afetada, pelos feridos, por aqueles que sofrem e por todo nosso povo”.
Ante el poderoso terremoto que ha golpeado a nuestra Patria, nuestras oraciones por las familias venezolanas afectadas. En esta hora difícil el llamado es a la unión nacional, a la serenidad y al amor. ¡Nuestro corazón con toda Venezuela! pic.twitter.com/oWN8m09HoR
— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) June 25, 2026
“Hoje a palavra é uma só: união máxima, solidariedade máxima e ação máxima. Que ninguém fique sozinho, que cada comunidade cuide de suas crianças, de seus avós, de seus doentes”, escreveu.
No texto, Maduro ressalta que “a Venezuela passou por grandes provações e desta também vamos sair fortes, com fé, disciplina e solidariedade. Nosso coração e nossas orações estã com vocês. Que Deus abençoe e proteja o povo da Venezuela”.
Deposto por uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, Maduro está detido em Nova York desde janeiro, junto de sua esposa. A próxima audiência no caso, que envolve acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, está prevista para 22 de julho. Ambos se declaram inocentes.
Os terremotos
As buscas por milhares de desaparecidos continuam nesta quinta-feira, 25, após dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem a Venezuela. Mais de 500 equipes de emergência foram mobilizadas para atuar nos escombros de prédios e casas. Um site compartilhado pela oposição venezuelana estima que 10 mil pessoas estejam desaparecidas. Dados oficiais apontam que 164 pessoas morreram e outras 970 ficaram feridas, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos calcula que o número de vítimas esteja na casa de dezenas de milhares.
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As cenas são dramáticas. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram sobreviventes sendo retirados das ruínas, enquanto moradores voltam às suas casas para salvar animais de estimação. Voluntários atuam lado a lado dos socorristas. Uma das publicações exibe o momento em que as equipes celebram o resgate de um jovem, aparentemente lúcido e sem ferimentos graves, que estava preso debaixo de um edifício que ruiu em meio aos tremores.
O médico Juan Carlos Viloria Doria afirmou que já se trata de um dos desastres naturais “mais devastadores” da história do país. Doria é vice-presidente da organização Venezuelanos em Barranquilla, uma organização sem fins lucrativos “dedicada à assistência integral à população migrante, refugiada e retornada da Venezuela”. Ele disse que centenas de pessoas procuram por familiares em hospitais e em áreas devastadas.
“Neste momento, a prioridade é salvar vidas, localizar pessoas desaparecidas e garantir que as famílias recebam informações precisas sobre seus entes queridos”, acrescentou ele à emissora europeia Sky News.
Mais cedo, a presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que os dados iniciais não incluíam os do estado de La Guaira — o mais atingido, localizado perto de Caracas e onde fica o aeroporto da cidade, que foi fechado.
“Dezenas de prédios desabaram, e estamos realizando esforços de resgate muito intensos para salvar o maior número de vidas que Deus nos permitir salvar”, disse ela em aparição na TV estatal durante a madrugada. “Quero dizer também que esta é uma verdadeira tragédia. Daqui, enviamos nossa mensagem de solidariedade e, às famílias que perderam entes queridos, reafirmamos nossas condolências e nosso apoio nestas horas difíceis.”
Terremotos são comuns na Venezuela. O país está situado em uma zona sismicamente ativa, onde a Placa do Caribe encontra a Placa Sul-Americana. Estima-se que 30 mil pessoas tenham morrido quando um terremoto poderoso causou destruição generalizada nas cidades de Mérida e Caracas em 1812, segundo o USGS.

