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Como o genro de Trump acidentalmente fomentou uma insurreição na Albânia


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Filha do presidente dos Estados Unidos, Ivanka Trump viajou à Albânia uns anos atrás, um país que, embora esteja entre os mais pobres do continente, ficou conhecido como as “Maldivas da Europa” pelas paisagens com a mesma areia branquíssima, espreguiçadeiras flutuantes e águas azul-turquesa. Lá, ela e o marido, Jared Kushner, se depararam com a ilha de Sazan. “Fiquei encantada”, contou em um podcast. Pois os dois decidiram comprar aqueles 1.400 hectares banhados pelo Mar Adriático para transformar Sazan em um resort de luxo exclusivo, equipado com casarões para a estadia de ricos e famosos, um cassino e um campo de golfe.

Mal sabiam eles que era o começo de uma insurreição na pequena nação dos Bálcãs.

A coisa evoluiu

Há três semanas, milhares de pessoas tomaram as ruas da capital, Tirana, contra o tal resort, estimado em US$ 4 bilhões, que seria financiado pelo genro de Trump e investidores do Golfo Pérsico. O que mais preocupa os albasese é um segundo empreendimento do outro lado da baía, próximo a uma reserva natural que abriga flamingos e outras espécies da fauna local, devido aos prováveis impactos ao ecossistema — toda a burocracia, aliás, foi atenuada com uma mãozinha do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama.

Manifestantes têm carregado cartazes com a frase “A Albânia não está à venda” e, subindo o tom dos protestos, recentemente invadiram canteiros de obras de outros empreendimentos de luxo para destruir equipamentos.

O que começou como uma expressão de indignação com esse ponto específico, porém, evoluiu rápido. As marchas quase diárias começaram a expor denúncias mais amplas contra o governo, como acusações de corrupção e indiferença com a degradação do meio ambiente. Também há muitos gritos em oposição ao que os manifestantes descrevem como a “elite política” que está no poder desde a queda do comunismo, há 35 anos. (Se soa familiar, não é coincidência: uma série de micro-revoluções, em particular aquelas lideradas pelos jovens da Geração Z, derrubou governos na Ásia, África e América Latina sob o mesmo argumento ao longo dos últimos três anos).

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Revolução dos Flamingos

O movimento popular cresceu tanto que já ganhou nome — “Revolução dos Flamingos”, referência à ameaça à fauna local pelo resort de Ivanka e Kushner que está no centro dos protestos — e não dá sinais de arrefecimento. Uma reportagem do jornal britânico The Guardian, feita in loco, resumiu o clima no país em termos contundentes: “Desde o colapso do comunismo, há mais de três décadas, a Albânia não era abalada por tamanha fúria coletiva.”

O primeiro-ministro da Albânia rejeitou as exigências de renúncia, declarando à emissora americana CNN que o projeto não vai “derramar concreto sobre a cabeça dos flamingos” e que a filha e o genro de Trump fazem parte de um grupo amplo de estrangeiros que investem no país, sugerindo que não receberam privilégios pela relação com o presidente dos Estados Unidos. Enquanto isso, a Proteção e Preservação do Meio Ambiente Natural na Albânia (PPNEA), um grupo de conservação, afirmou que o resort de luxo já causou danos ecológicos “graves” e “irreversíveis”.



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