A greve estudantil da Unesp foi deflagrada estadualmente a partir de 4 de maio de 2026 nos campi de Presidente Prudente, Bauru, Franca, Rio Claro, Guaratinguetá, Assis, Botucatu, Araraquara, Marília e São José do Rio Preto. Dentre as principais reivindicações desse processo, o movimento exigiu a necessidade de aprovação da política de cotas trans em 2026 e sua implementação na Unesp a partir do ano de 2027.
As mesas de negociação dos representantes estudantis com a Reitoria se iniciaram na sexta-feira passada e encerraram com a assinatura de um termo geral de compromisso na manhã desta quarta (24). Neste processo, foi reservado um período exclusivo, ontem, para uma mesa de negociação específica sobre a aprovação das cotas trans e o compromisso da reitoria com sua implementação já em 2027.
O movimento se iniciou em Novembro de 2024, no Congresso de Estudantes da Unesp (CEU), com a fundação da Frente por Cotas Trans “Carmen de Oliveira Alves”, posteriormente assim nomeada em homenagem à Carmen, estudante da Unesp de Ilha Solteira, vítima de transfeminicídio com caso que ainda segue na justiça pela condenação dos acusados.
Desde então, em 2025, foi instituído o Grupo de Trabalho “Janaína Lima”, com participação paritária estudantil, representantes da graduação e pós-graduação, da UNE e de demais entidades estudantis. O GT entregou nesta terça-feira o relatório para a implementação da política e uma proposta de minuta a ser votada nos órgãos colegiados.
Nós, do REVIDE, que construímos a Frente Por Cotas Trans e o GT de Cotas Trans desde o princípio, entendemos que essa é a principal conquista da greve da Unesp, e que só foi possível porque o movimento trans estudantil foi capaz de colocar essa reivindicação na ordem do dia de cada assembleia de campus.
Entre seus aspectos, a política, muito influenciada pelo projeto aprovado em Abril de 2025 na Unicamp, estabelece as cotas trans a partir de vagas suplementares nos cursos, via Edital Enem- Unesp, com 50% destas vagas destinadas ao público PPI e prevê a instituição de mecanismos de permanência estudantil, como o aprimoramento do sistema de uso de nome social e o estudo sobre a possibilidade de uma cota nas bolsas de permanência estudantil reservada especificamente para a comunidade trans.
A portaria visa estabelecer o mínimo de 1 vaga por curso, sendo padronizado na maioria dos cursos o padrão de 2 ou 3 vagas suplementares reservadas para pessoas transexuais, travestis, transgenero, não binárias, transmasculinos, transfemininas e intersexo.
A política também prevê que o processo de validação das candidaturas se dará através de uma comissão de acompanhamento das cotas trans, com os três setores da universidade (discentes, servidores e docentes) e a presença obrigatória de pelo menos uma pessoa trans, mediante a apresentação de relato de vida e possíveis entrevistas.
Os estudantes consideram que essa é uma das principais conquistas do processo de greve que já se instaura na universidade há mais de um mês, e entendem que agora o compromisso da Reitoria e de todos os setores que fizeram parte desse processo de negociação precisa ser com a apropriação do debate por cada representante que vai participar da votação nos órgãos colegiados ainda em 2026, aponta Lê Magalhães – Diretor de Políticas Afirmativas da UNE e membro do Comando Trans de Greve.
a Unesp foi a primeira das universidades estaduais paulistas a implementar as cotas etnico-raciais e para estudantes de escolas públicas, fruto de um processo de greve e ocupações construídas de forma estadualizada em 2013. Hoje, a Unesp, que já cresceu muito desde então e teve o perfil de estudantes radicalmente transformado após essa política afirmativa, entrará para lista como 42º universidade brasileira a implementar cotas trans na graduação, visando transformar radicalmente o perfil da universidade.
É importante lembrar que a Unesp foi a primeira das universidades estaduais paulistas a implementar as cotas etnico-raciais e para estudantes de escolas públicas, fruto de um processo de greve e ocupações construídas de forma estadualizada em 2013. Hoje, a Unesp, que já cresceu muito desde então e teve o perfil de estudantes radicalmente transformado após essa política afirmativa, entrará para lista como 42º universidade brasileira a implementar cotas trans na graduação, visando transformar radicalmente o perfil da universidade.
É mais um passo que demonstra como o movimento estudantil e o movimento trans, em unidade, no processo de luta e conquista das Cotas Trans, deixa evidente o papel da universidade pública como espaço de reparação histórica e aprofundamento da democracia. Demonstra também como, mais uma vez, as conquistas do movimento trans estudantil são uma ferramenta essencial na luta contra a extrema-direita.
Tarcísio de Freitas sai desse processo de greve, sem dúvidas, afetado pela greve das estaduais paulistas: seja no debate de financiamento das estaduais paulistas, seja na conquista de mais uma universidade que — apesar de todos os esforços contrários da extrema-direita — avança na implementação das cotas trans.
Agora o objetivo, após a garantia de implementação em 2027 nos órgãos colegiados, é receber essas turmas de ingressantes trans, promover políticas internas de formação permanente sobre combate à transfobia e medidas de permanência estudantil, bem como aprovar as cotas trans na pós-graduação e cursinhos populares vinculados à universidade. Aguardamos e apoiamos também o avanço do processo de aprovação na última universidade paulista que ainda não possui a política afirmativa, a USP.
Esse processo só foi possível porque a Frente por Cotas Trans Carmen de Oliveira Alves sensibilizou em primeiro momento a comunidade estudantil sobre a urgência da aprovação da política, bem como construiu transsembleias de greve e uma carta de reivindicações estaduais que foi encaminhada à Reitoria. Nós colocamos ao movimento estudantil e à toda a universidade que as cotas trans não eram meramente apenas uma reivindicação elencada na lista de greve, mas que deveria ser prioridade nas pautas da greve estudantil. Agora, celebramos essa conquista!
A Unesp vai transicionar!
Lê Magalhães é diretor de Políticas Afirmativas da UNE – Comando Trans de Greve
Lê Sato é do CA Direito Unesp Franca – Comando Trans de Greve
Ali Teixeira é do DA Unesp Presidente Prudente – Comando Trans de Greve
Rio Braga é da Unesp São José dos Campos – Comando Trans de Greve

