O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou a operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) de “alento” durante evento nesta quinta-feira (18). O petista, líder do governo Lula (PT) no Senado, foi um dos alvos de nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
As suspeitas são de que Wagner pode ter recebido quantias do Banco Master por meio de empresa ligada à esposa de seu enteado, além de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
“O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema era o PT da Bahia”, disse.
O senador tenta descolar sua imagem do escândalo do Banco Master após ter sua proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelada em áudios em que pede dinheiro para o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo as investigações, Vorcaro pode ter enviado cerca de R$ 61 milhões ao exterior para financiar a produção.
Flávio também defendeu a reclassificação de facções criminosas, como CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, a exemplo dos EUA.
O governo de Donald Trump resolveu reclassificar esses grupos, o que foi criticado por especialistas, após visita de Flávio à Casa Branca.
O pré-candidato à presidência pelo PL subiu ao palco acompanhado pelo senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao Governo do Paraná, e pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado.
As propostas incluem também o aumento no número de presídios e a criação de cinco novas instituições de segurança máxima no modelo adotado por El Salvador“, afirmou Flávio.
“Prisão não é lugar de ressocializar ninguém. Prisão é lugar para que esse tipo de marginal perigoso fique preso. É lugar de punição”, disse também.
O senador citou suas filhas, de 12 e 14 anos, para defender a castração química de estupradores. “Eu não consigo imaginar a dor de um pai ou a dor de uma mãe ou a dor de uma menina, de uma criança, que sofre com esse tipo de violência“, disse.
O projeto do pré-candidato bolsonarista também inclui a redução da maioridade penal, aumento de verbas para segurança pública e a implementação de um sistema nacional de câmeras com reconhecimento facial.
Em sua fala, Moro disse que o governo Lula não tem um projeto para a segurança pública, mas uma “coleção de anedotas”. Ele também defendeu o encarceramento em massa e a adoção de medidas como aquelas implementadas em El Salvador.
O atual presidente salvadorenho, Nayib Bukele, ficou conhecido por reformas no sistema policial e jurídico. A gestão é criticada por suas tendências autocráticas e é alvo de denúncias por violação de direitos humanos. Em julho de 2025, o Legislativo salvadorenho, de maioria governista, aprovou uma alteração à Constituição que permite reeleições sucessivas.
Derrite, por sua vez, comemorou o fim da Cracolândia e defendeu a vigilância de fronteiras e de portos e aeroportos para evitar a entrada e saída de drogas do Brasil.
O delegado defendeu o que chamou de asfixia financeira do crime organizado e lembrou o fato de o evento acontecer no coração financeiro de São Paulo, a avenida Faria Lima. “Nós confiamos no mercado financeiro brasileiro”, disse Derrite, em aceno. O evento aconteceu no Teatro B32.
Flávio complementou dizendo que a política de segurança pública também é para “pessoas que têm dinheiro” e não só para pessoas pobres.
O programa de segurança pública da campanha do senador recicla o nome do jornal conservador “Brasil Sem Medo”, lançado em 2019 e capitaneado por Olávo de Carvalho. O canal do YouTube do portal chegou a ser suspenso em 2022 por “graves violações das diretrizes da comunidade”, segundo a plataforma. Em 2024, as atividades foram encerradas defintivamente.

