A PF (Polícia Federal) afirma ter identificado indícios de atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em temas legislativos de interesse do Banco Master.
A conclusão consta na representação apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o banco. Jaques foi alvo de busca e apreensão nesta quinta (18).
Segundo a PF, a atuação parlamentar de Jaques aparece como um dos elementos que reforçam a relação entre o senador e os investigados. Os policiais destacam sua participação em discussões sobre o crédito consignado, especialmente na tramitação de uma emenda que impunha limite de 300% aos juros cobrados.
De acordo com a investigação, o tema ganhou relevância em período próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar do parlamentar.
Outro ponto citado pela PF envolve a proposta do senador Ciro Nogueira (PP-PI) de aumentar para R$ 1 milhão o limite da cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que beneficiaria diretamente o Master.
Os investigadores descrevem uma sequência de contatos entre Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, gestores do banco, com integrantes do gabinete de Jaques Wagner durante a tramitação da proposta.
Segundo a representação, em 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda de Ciro, Augusto Ferreira Lima realizou uma ligação de mais de nove minutos para o senador. Logo após a conversa, ele enviou a Wagner o link da proposta legislativa. Duas semanas depois, em 27 de agosto, após um encontro presencial, Augusto voltou a encaminhar ao parlamentar o mesmo material.
A PF também destaca uma mensagem enviada por Augusto Ferreira Lima a Jaques Wagner em 29 de março de 2025, durante explicações sobre a operação de venda do Banco Master ao BRB. Na conversa, Augusto afirmou ao senador: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”.
“Em juízo perfunctório, a frase indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”, afirma a PF.
A CNN entrou em contato com a equipe do senador, que ainda não se manifestou sobre os apontamentos da Polícia Federal. O espaço segue em aberto.

